quarta-feira, 13 de julho de 2016

Círculos de leitura na escola

A prática social da leitura e escrita precisa ganhar destaque no cotidiano escolar. É preciso superar o uso da leitura e da escrita apenas como instrumento técnico para se aprender o que as disciplinas trazem em seus conteúdos específicos.

Aprender a ler e escrever é um ato libertador. Seu uso social deve extrapolar o utilitarismo pedagógico e permitir ao estudante a interação com as situações reais vividas na sociedade e com os dilemas filosóficos da humanidade. Em outras palavras, a leitura e a escrita devem ganhar relevância para os estudantes no sentido mais amplo: o da cidadania plena.

Nesta perspectiva, quero destacar nesse texto uma iniciativa: os círculos de leitura.

Segundo o glossário Ceale, elaborado pela Universidade Federal de Minas Gerais, Círculo de leitura é uma prática de leitura coletiva e compartilhamento de textos e consiste basicamente na reunião de um grupo de pessoas, em encontros sucessivos, para discutir a leitura de uma obra literária ou não.

No Ceará, algumas escolas da rede estadual, com a orientação da Fundação Fernand Braudel e com apoio da Fundação Itaú Social, vêm desenvolvendo esta prática de envolvimento dos jovens estudantes em círculos de leitura. Nestes círculos, os participantes lêem obras clássicas da literatura mundial e participam de discussões sobre suas compreensões da leitura.

E o resultado não poderia ser outro: estudantes "magnetizados" com as tramas sofisticadas das histórias de Shakespeare e de outros gênios da literatura.

Os círculos de leitura, clubes de leitura ou algo do gênero devem ser estimulados em todas as escolas. A manifestação do protagonismo estudantil e o apoio dos professores são os ingredientes para se estruturar este tipo de iniciativa.

É muito importante que as escolas consigam ampliar seus repertórios de oportunidades de aprendizagem para garantir o sucesso acadêmico de seus alunos. E a criação dos círculos de leitura, sem dúvida, vai nessa direção.

Sugestão para consulta:

http://www.circulosdeleitura.org.br

sábado, 9 de julho de 2016

Incentivo à leitura para uma melhor escrita

Para escrever bem é preciso de três coisas, já diziam os primeiros professores: ler, ler e ler.

Hoje se faz campanhas para que o estudante escreva textos de até 30 linhas no gênero argumentativo-dissertativo para obter uma nota próxima ao ideal no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Mas não é possível escrever melhor sem o acúmulo de leituras.

Claro que para criar a prática da escrita não precisa esperar a leitura de uma biblioteca inteira. Não há uma ordem nessa questão: prática da escrita e da leitura deve se desenvolver simultaneamente.

O que quero expressar nesse texto é a necessidade de se estabelecer uma campanha permanente para se estimular a leitura na escola. O professor Edgar Linhares, ex-presidente do Conselho Estadual de Educação do Ceará, falecido recentemente, falava uma coisa que me chamava a atenção: nosso pensamento ocorre a partir de palavras, portanto, quanto maior o vocabulário do sujeito, mais longe o pensamento e a criatividade podem ir. (Essa não é uma citação ipsis verbis)

E a incorporação de palavras ao vocabulário somente é possível com a leitura de gêneros variados, das obras clássicas da literatura às obras mais contemporâneas, passando por jornais e revistas de circulação diária, semanal ou mensal. Enfim, ler, creio ser um consenso absoluto, é o subsídio para o pensamento crítico argumentativo, e consequentemente de uma boa escrita.

Porém, um entendimento que precisa ser superado é a vinculação das práticas pedagógicas de leitura e escrita às aulas de língua portuguesa. É muito pouco abrangente esse movimento na escola puxado apenas por professores dessa disciplina.

Há de se pensar estratégias que envolvam todos os professores, pois está à disposição obras da literatura ou periódicos associados a todos os componentes curriculares. Além disso, a escrita de textos é possível de ser inserida no plano de trabalho de todos os professores. Requer, no entanto, uma articulação da gestão da escola para efetivar essa possibilidade.

Enfim, a escola precisa ter como plataforma essencial de seu Projeto Político Pedagógico (PPP) o desenvolvimento do hábito de leitura de seus estudantes.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Liderança dos gestores no processo de aprendizagem dos estudantes

O impacto da gestão escolar nos resultados acadêmicos dos estudantes é tema bastante recorrente nas pesquisas educacionais. O quanto um grupo gestor influencia positivamente nos resultados de aprendizagem?

Sabe-se que criar um ambiente acolhedor e de altas expectativas nas escolas sobre a capacidade das crianças e jovens de aprender está entre as principais estratégias para estimulá-los a se dedicarem mais ao trabalho acadêmico. Garantir essas duas dimensões no cotidiano pode ser a grande contribuição dos gestores a partir de uma ação coordenada com todos os profissionais da escola.

Criar um ambiente em que cada aluno se sinta integrado, acolhido, não é fácil, mas é extremamente necessário. O aluno que falta a aula deve sentir, no mesmo dia, por exemplo, o quanto faz falta para a escola. Isso é básico. Mas ainda se enfrenta muitos desafios no acompanhamento e tomada de decisões quanto a infrequência discente e isso pode fortalecer uma sensação perigosa no estudante de que sua ausência não é sentida.

O que garante a inclusão educacional não é a matrícula, mas sim o cuidado sistemático que se desdobra no processo educativo de modo que seja estabelecido os vínculos afetivos dos estudantes com a sua unidade de ensino. O acompanhamento da infrequência está associada a esse cuidado. O processo de acolhimento não se esgota nessa ação, claro. Mas dizer com veemência que a escola vive a energia força do "nenhum a menos" faz muita diferença na decisão do estudante, principalmente de ensino médio, em permanecer, ou não, na escola.

Uma outra dimensão importante é a criação de um ambiente escolar fundado em altas expectativas. Não se trata de dizer aos estudantes, simplesmente, que todos são capazes de aprender. É preciso criar processos pedagógicos consistentes em que os estudantes sejam desafiados na medida certa para desenvolveram competências cada vez mais complexas.

A demonstração cotidiana dos professores de que acreditam no sucesso acadêmico dos seus alunos não é de ordem menor. Em muitas pesquisas que comparam resultados acadêmicos com as manifestações dos professores com expectativa positiva de aprendizagem de seus alunos revelam que há sim uma correlação positiva entre altas expectativas e aprendizagem efetiva.

Aos gestores escolares compete, em um última análise, fortalecer o clima escolar para que o estudante se sinta acolhido e desafiado a aprender de forma adequada.

domingo, 3 de julho de 2016

A incorporação de atividades realizadas fora da escola ao itinerário formativo do estudante

A escola é a instituição responsável pela formação intelectual/cognitiva dos cidadãos. Está organizada para trabalhar conteúdos relacionados ao vasto conhecimento acumulado pela humanidade a partir das empreitadas da ciência moderna.

Mas a sociedade contemporânea exige bem mais. Outras dimensões precisam ser desenvolvidas para ampliar as possibilidades dos jovens no que diz respeito a inserção nas estruturas complexas do mundo do trabalho, da universidade, enfim, na teia das relações pessoais, acadêmicas e profissionais.

A escola pode mudar sua organização pedagógica para adequar-se a essas novas necessidades. Trabalhar o desenvolvimento de competências socioemocionais; das habilidades artísticas e esportivas; da percepção cidadã do meu ambiente, entre muitas outras dimensões, traz para a escola novas responsabilidades e a atualiza diante dos novos desafios.

Mas a escola sozinha não pode simular todos os processos de aprendizagem nesse contexto. Criou-se muitas outras estruturas na sociedade que também contribuem para a formação das pessoas e não podem ser ignoradas na composição do itinerário formativo dos estudantes.

Não é sensato que diante desses novos desafios relacionados a formação plena das pessoas se ignore as atividades desenvolvidas fora da escola e que estão relacionadas à formação do estudante.

É importante que a escola faça um mapeamento das oportunidades de aprendizagem na comunidade para que estas possam ser reconhecidas no histórico escolar.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Oportunidades na comunidade para uma educação integral

Romper os muros da escola: eis o grande desafio. Essa ruptura exige mudança de paradigmas bastante solidificados no imaginário dos educadores, ainda.

Desde a década de 1990, quando assistimos ao maior movimento de inclusão educacional no Brasil, fala-se em derrubar os muros da escola e estabelecer um elo funcional dessa instituição com a comunidade, com a cidade na qual está situada. É o movimento de apropriação para fins educativos dos bens culturais, das práticas laborais, dos espaços de lazer e de recreação, enfim, a instituição escolar precisa expandir o conceito de sala de aula.

A escola não pode continuar sendo uma ilha na sociedade. O que acontece dentro dela não ter relação com o mundo que a cerca faz com que sua agenda seja estranhada pelos estudantes, e mais uma vez fragiliza a intenção de se contruir uma formação acadêmica significativa.

O que se aprende na escola se aprende para viver melhor na sociedade. Esse deve ser o princípio fundante do projeto político pedagógico. E viver melhor na sociedade exige compreender a complexa teia de relações que se desenvolvem na comunidade, pois esse é o livro que o estudante escreve juntamente com seus familiares e não pode ser ignorado pela escola.

Partir do que o aluno sabe é uma premissa pedagógica. Mas é preciso ir além. É preciso partir de onde o aluno vive. De suas vivências e ansiedades para melhorar suas condições de vida é que podem emanar as principais contribuições da escola na formação intelectual e cidadã das crianças e jovens.

Ainda há de se considerar que os estudantes não conhecem toda a sua cidade, sua história,  todos os bens culturais e atividades produtivas, por exemplo. Nesse caso, a escola pode proporcionar essa aprendizagem.

Estou tratando nesse texto da necessidade de construir uma escola verdadeiramente inclusiva, que dialogue abertamente com as condições sociais e econômicas de seus estudantes, com a cidade onde vivem. Esse é o contexto necessário para o processo de aprendizagem sustentável e que pode proporcionar aos alunos o entendimento da função social da escola e o sucesso acadêmico.